quarta-feira, 22 de abril de 2015

Onde erramos? Qual é a qualidade dos nossos profissionais?





Valorização Profissional – uma necessidade urgente
Temos cultura formalista, burocrática, gostamos de carimbos, títulos e diplomas; realmente podemos, temos capacidade para fazer com qualidade e confiabilidade o que dizem nossos diplomas, certificados, descrição de cargos, medalhas etc.?
Recentemente vimos um filme fantástico de posse da Aliança Francesa (minha esposa tem o direito de emprestar filmes e livros da AF) que tratava da construção das grandes catedrais francesas. Que aula de Engenharia e Arquitetura!
A História da Humanidade tem muitos exemplos de obras colossais, com destaque para a China que fez “milagres” há alguns milênios e o Egito de tirava do Rio Nilo o máximo que podia. Na Grécia Atenas foi um exemplo maravilhoso, não apenas para a Engenharia, Arquitetura, artes plásticas, mas também para a Filosofia. Cartago disputou com Roma o domínio do Mar Mediterrâneo e entre outras razões estava a tecnologia de construção de navios de guerra. Quando os romanos aprenderam souberam usar melhor o que os cartagineses desenvolveram, isso sem falar, talvez, de padrões melhores de tratamento de seus soldados e até escravos...; todas as estradas levavam à Roma, essa era uma expressão que só perdeu sentido quando essa cidade extraordinária sucumbiu à força de suas tropas (principalmente) e a conflitos e crenças revolucionárias, mas ineficazes.
Na antiguidade não existiam universidades, faculdades, escolas técnicas exceto algumas academias e liceus dedicados à Filosofia e ensino de artes místicas em lugares muito especiais.
No meio de povos mais avançados tínhamos as corporações de ofício.
O trabalho dessas muitas corporações e de mestres fenomenais, cujos nomes dificilmente aparecem com destaque aos olhos de turistas apressados, é de compreensão complexa e surge à luz de nossos dias aos poucos em serviços de especialistas, principalmente daqueles que procuram preservar testemunhos e obras de arte de nossos ancestrais.
E agora?
Nossas cidades são a demonstração material do conhecimento humano. Elas e moradores de prédios (arquivos de gente) podem dizer o que têm e a qualidade do que recebem, inclusive em lojas famosas quando trocam eletrodomésticos antigos por coisas modernas e feitas para clientes diferentes do que somos.
O que podemos dizer quando sentimos que estamos muito longe dos padrões que sentimos nos países mais desenvolvidos?
Continuamos importando maravilhas e instalando-as em ambientes onde até creches são insuficientes ou mitos distantes?
No Brasil temos um desafio colossal, viabilizar um bom padrão de educação e ensino em todos os níveis e atividades. Se existe algo a ser corrigido, aprimorado ou modificado radicalmente é a forma de produzir profissionais e cidadãos.
Precisamos urgentemente de bons projetos estratégicos (cidades, estados e União) de desenvolvimento para não ficarmos embasbacados vendo trens de altíssima velocidade disparando entre cidades, sistemas de comunicação que dependem da boa vontade de estrangeiros distantes para termos algo que preste, dependência de foguetes e satélites que não conseguimos colocar em órbita, médicos realmente sensíveis e competentes, hospitais dos quais não tenhamos que sair carregados com urgência, calçadas, ruas, parques, prédios, estádios, viadutos e trincheiras, etc. que não sejam mal feitos ou perigosos apesar de desproporcionalmente caros. Legislação? Nem laboratórios bem equipados temos para certificar o que é projetado e feito no Brasil. O que vale é reduzir tarifas e aumentar impostos e taxas, inclusive de cartórios em tempos de informática e automação.
Estudamos em São Paulo (cursinho), quando pudemos conviver com alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica em 1963, que gênios! Ali aprendemos a importância de vestibulares e critérios de admissão severos. O resultado é visível. A EMBRAER é um bom exemplo desta base assim como boas escolas de Agronomia (que nos deram a EMBRAPA), Eletromecânica e Medicina viabilizaram profissionais excelentes que marcaram época e empresas brasileiras que tiraram o Brasil a partir da década de setenta de um atraso grotesco. E atualmente?
Caímos na armadilha de integrar e formar universidades e dar a essas coleções de escolas um sistema corporativo de formação de suas gerências, funcionou?
Impedimos a importação de professores e doutores, cristalizamos nossa ignorância.
Lutamos por planos de carreira onde o principal mérito é colecionar diplomas e certificados dados entre si e o tempo de “trabalho”.
Em nossa pátria dos carimbos hoje temos uma coleção de organizações para “defesa da profissão”. Isso é bom? A quem defendem? donos de diplomas?
Sabemos que a melhor demonstração de qualquer teoria é o resultado obtido.
Graças à Operação Lava Jato ficamos sabendo com detalhes do “modus operandi” de empreiteiras gigantescas, Petrobras, equipes gerenciais etc. no Brasil. Dolosamente estávamos(?) sob muitos critérios maldosos(?) de execução de obras. No mínimo poderíamos perguntar, o que teria sido da história da Humanidade se esse tipo de gente comandasse a construção dos impérios e obras da Antiguidade? Noé teria feito sua arca?

Cascaes
22.4.015

terça-feira, 31 de março de 2015

Engenheiro século 21

domingo, 29 de março de 2015

Engenharia – o desafio da qualidade e a definição de custos e preços


O povo brasileiro ainda não digeriu tudo o que a Operação Lava Jato mostrou, um processo a partir de diligências e inquéritos que entrarão para a história nacional, pois seus executores estão exercendo com maestria e extrema competência suas atribuições profissionais.
De Brasília o Governo Federal e o Congresso Nacional procuram retomar a iniciativa, mas quem acredita?
Nesse maremoto após as marolas de alguns anos passados precisamos também repensar e refazer a legislação relativa ao exercício da Engenharia, procurando apontar equívocos e firulas de uma legislação que não mostrou bons resultados. Ao contrário, manipulada até acintosamente deve ter semeado projetos ruins e caros em todos os níveis de gerenciamento político nacional. Agregando maldades perdemos a cadência de ações que exigiriam compreensão de prioridades e atualidade, assim agora sentimos todo o peso de um período de estiagem, o agigantamento de cidades mal localizadas, sistema de transportes absurdamente dependente de uma indústria monomodal, saneamento básico e todos os serviços essenciais precários, apesar da abundância de recursos possíveis durante alguns anos.
Somos um país excessivamente concentrador de poderes em uma União incapaz de aplicar suas decisões de forma honesta e formada por estados dependentes de simpatias políticas, algo vergonhoso e ineficaz [1].
Nesse ambiente que canaliza nossas atenções para a área criminal e política devemos também lembrar a importância da Engenharia, ciência dita Exata e com instrumentos de análise e planejamento alheios a gostos e ambições rasteiras.
O que estaria errado (além do que todos sabem)?
O quadro institucional existente penaliza as empresas de porte médio ou pequeno em favor de grandes companhias, essas devidamente protegidas por bancas formidáveis de Advocacia.
Como viabilizar a boa Engenharia sem ter que suportar manipulações que impõem aos brasileiros preços extorsivos e inflados nos circuitos burocráticos de licitação, aprovação, aquisição, execução e operação de qualquer instalação, principalmente aquelas que afetam os serviços essenciais?
Além dos projetos de interesse estratégico, o que fazer para garantir a segurança de tudo o que precisamos para viver?
Temos normas técnicas, quem e de que jeito elas são aferidas em tudo o que se vende no Brasil?
Existem estruturas e profissionais necessários e suficientes para fiscalizar com severidade o que existe?
Que educação é transmitida aos nossos técnicos e engenheiros?
A aplicação de leis, decretos, regulamentos, estatutos, portarias etc. é discricionária[1]? Como evitar a má qualidade, os sobrepreços, a desonestidade?
Antes de mais nada é bom lembrar que a fobia legiferante { [2] , [3], [4]} é nociva ao país à medida que confunde e onera qualquer processo. A simplicidade é virtude e o fundamental é a identificação e punição de atos dolosos. O formalismo é instrumento de perversão na área técnica, extremamente dependente de pessoas e empresas com qualidades nem sempre comuns.
O exercício de qualquer profissão com brilhantismo é função de algo muito acima de diplomas e certificados e só especialistas e bons gerentes poderão dizer quem realmente é capaz. O ser humano é um conjunto fantástico de recursos físicos, sensoriais, intelectuais, culturais e morais, mas alguns têm qualidades excepcionais. Isso pode ser sentido em sua plenitude no exercício do esporte onde alguns se destacam. Quem desejaria formar seleções perdedoras? Os torcedores negam bons salários para seus craques? É isso que acontece quando escolhemos empresas a partir do menor custo, simplesmente criando processos licitatórios sem condições de valorização de bons profissionais, pior ainda quando tudo é feito como se esses cuidados acontecessem e somos enganados na formação das equipes e escolha de materiais, equipamentos, sistemas etc.
O desafio da boa Engenharia exige estratégias de contratação, fiscalização e competição saudáveis.
O povo brasileiro envelhece e a quantidade de pessoas com deficiência(s) em consequência de acidentes, doenças e envelhecimento cresce rapidamente. O que fazer para que a segurança prevaleça ao discurso fácil da redução de custos, simplesmente?
Cascaes
29.3.2015
[1]
J. C. Cascaes. [Online]. Available: http://o-irredento.blogspot.com.br/.
[2]
P. V. F. ROSA, “O Brasil precisa de mais leis?,” 21 01 2014. [Online]. Available: http://congressoemfoco.uol.com.br/legislacao/o-brasil-precisa-de-mais-leis/.
[3]
C. O. ALESSANDRA DUARTE, “Brasil faz 18 leis por dia, e a maioria vai para o lixo,” O Globo, 3 11 2011. [Online]. Available: http://oglobo.globo.com/politica/brasil-faz-18-leis-por-dia-a-maioria-vai-para-lixo-2873389.
[4]
J. Neitsch, “O país que não sabe fazer leis,” Gazeta do Povo, 31 5 2012. [Online]. Available: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/justica-direito/o-pais-que-nao-sabe-fazer-leis-1lrnvjcltldrtw8ajowe85jri.









[1] Discricionário é aquele ato pelo qual a Administração Pública de modo explícito ou implícito, pratica atos administrativos com liberdade de escolha de sua conveniência, oportunidade e conteúdo. - http://www.dicionarioinformal.com.br/discricion%C3%A1rio/

quarta-feira, 18 de março de 2015

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A importância da boa formação dos engenheiros

Para o quê elegemos governantes e representantes no Brasil?
O Prêmio Nobel em Literatura, Dr. Mário Vargas Lhosa, escreveu e publicou com sucesso mundial uma coleção de livros que mereceriam leitura crítica de todos os brasileiros. Seus livros, quando criando romances no norte da América do Sul, em especial no Peru, destacam a figura do padrinho. A corrupção e o desrespeito aos direitos humanos era (ainda é?) livre desde que o criminoso gozasse da proteção de algum figurão. Note-se que seus livros abordam temas e ambientes preferencialmente do século 20 e esses chefes tinham prazeres imensuráveis em seus cargos.
No Brasil os portugueses aprenderam logo as vantagens do cumpadrismo de povos pré-colombianos que viviam por aqui de forma razoavelmente organizada.
Hoje no nosso país sentimos os efeitos do companheirismo político, da lealdade a chefes a qualquer preço. Num país organizado para ser ditatorial, positivista, contrariar personalidades entronizadas é algo complexo e de alto custo.
O cenário de racionamento de água, luz, metrô e até calçadas, dinheiro e perspectivas sombrias para 2015 mostram os efeitos de uma cultura de formação de quadros técnicos acovardados e oportunistas. Evidentemente as exceções existem, poderíamos talvez até dizer o contrário, que a incompetência e a desonestidade são raras, mas localizadas, provavelmente, em postos chaves da nação.
Em tese queremos que nossos grandes chefes realmente governem com eficácia. As campanhas eleitorais dizem maravilhas dos candidatos, e depois?
A desculpa é a estiagem, que Brasil e qual era a probabilidade de mudanças climáticas severas? A superfície de nossa pátria mudou demais nessas últimas décadas, queriam eventos hidrológicos bem comportados? Ainda usam séries históricas e linearizam seus dados a partir de muitas décadas passadas?
Nossas universidades públicas e as escolas de segundo grau ensinam muito sobre as maldades do capitalismo e do imperialismo, e a Matemática, Física, Química, Botânica, Ciências Naturais? Em muitas universidades e suas faculdades a sensação que tivemos foi a falta absoluta de critérios sólidos de admissão. Criamos a ilusão dos diplomas, dos conselhos de defesa da profissão, etc.; pior ainda, em ambientes universitários mais parecidos com escolinhas de primeiro grau os alunos entram cheirando a leite e saem embebidos de cerveja, fazer o quê? com a diferença de que em muitas delas os estacionamentos para automóveis dos alunos são infinitamente maiores do que os laboratórios e bibliotecas. Antigamente o jeito era usar as pernas, bicicletas ou bondes...
Qual é a qualidade e rigor do ensino na área de Ciências Exatas?
Algo está errado em nosso país. Se a falta de energia em nossas hidrelétricas e os atrasos de obras importantíssimas têm explicações razoáveis, principalmente os efeitos de uma legislação construída à semelhança das existentes em países estabilizados, o racionamento de água é inacreditável quando sabemos que são polos tecnológicos e a água é absolutamente essencial. Qual era a análise probabilística que os planejadores faziam sabendo que a implementação de soluções envolve projetos que exigem decisões com décadas de antecedência?  Metrópoles cortadas por rios altamente poluídos (falta de tratamento de efluentes) querem ir buscar água de lugares distantes e culpam o povo, talvez com razão, que elegeu tantos prefeitos e governadores alienados.
Multa em cima dos consumidores.
Precisamos de boas lideranças, bem preparadas, inteligentes, realmente preocupadas com o futuro de nosso país.
Está na hora de mudar para melhor.
Cascaes
26.1.2015




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Rome antique et sa Technologie - Documentaire Français







Publicado em 4 de jul de 2014
Trouvez un bon documentaire à voir en streaming !
Désolé pour le grand nombre d'annonces sur cette vidéo mais il n'est pas en notre pouvoir de le changer.
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La technologie romaine est un des aspects les plus importants de la civilisation romaine. Cette technologie a été certainement la plus avancée de l'Antiquité. Elle a permis la croissance démographique de Rome, mais lui a aussi donné sa puissance économique et militaire. De très nombreuses techniques ont été oubliées après la chute de l'Empire romain suite aux grandes migrations.

La technologie romaine est issue de redécouverte ou d'importation de nouvelles techniques dans des domaines aussi divers que l'ingénierie civile, la construction navale ou l'élaboration de matériaux. Certaines de ces techniques n'ont pu être redécouvertes et reproduites qu'à partir du XIXe siècle , grâce à la science et à la puissance mécanique.
La plupart de ce que l'on imagine comme étant d'origine grecque est en fait d'origine étrusque. Les Étrusques avaient perfectionné les techniques de voûtes de pierre, de ponts ou de tous types de constructions, mais aussi la métallurgie. Les étrusques avaient déjà des villes pavées et des égouts, contrairement aux cités grecques dont les routes étaient boueuses et les égouts à l'air libre.

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Historia y Evolución de la Ingeniería Industrial




Publicado em 16 de abr de 2013
Proyecto final de Introducción a la Ingeniería Industrial.

Por: René Quiel y Joaquin Cuelho.

Sountrack:
Pirates of the caribbean live orchestra by Klaus Badelt
Expressions by Helen Jane Long

All the music and images in this video belong to their respective authors, I dont own the rights over this information.

Origen de la Ingeniería



Publicado em 4 de mai de 2014
Enjoy the video!!
Grupo 1M1
Proyecto: "Creando mi Videoteca"

Integrantes:
Moisés Trigueros
Aarón Araica
Norlan García

terça-feira, 8 de abril de 2014

Termos técnicos - LIBRAS?

Qualquer profissão cria verbetes adequados a suas atividades.
Em linguagem de sinais deveria existir uma convenção internacional para essas palavras.
Na vida profissional é muito importante a expressão inequívoca.
Dentro do que pode a inteligência humana seria sensato produzir um sistema de geração de sinais único, internacional.
Vejam alguns dicionários em 
http://alltasks.com.br/conteudo/dicionarios-tecnicos-online-e-glossarios-online-multilingues.html
Em linguagem de sinais, qual seria a forma de simplificar?

da Wikipédia:

As línguas de sinais no Mundo[editar | editar código-fonte]

Assim como entre os idiomas falados, é grande a variedade de línguas de sinais ao redor do mundo.
Muitos linguistas se dedicaram a estudar diferentes línguas gestuais, concluindo que estas apresentavam diferenças consideráveis entre si. Deve-se levar em conta que diferenças culturais são determinantes nos modos de representação do mundo. Assim, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente. 1
Cada país tem a sua própria língua gestual. Tomando como exemplo alguns países lusófonos, vemos que utilizam diferentes línguas de sinais: no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), em Angola existe a Língua Angolana de Sinais (LAS), em Moçambique existe a Língua Moçambicana de Sinais (LMS).
Além disso, da mesma forma que acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria língua de sinais, isto é, regionalismos e/ou sotaques. Essas variações se devem a ligeiras diferenças culturais e influências diversas no sistema de ensino do país, por exemplo. Há, inclusive, uma língua de sinais pretensamente universal, análoga ao Esperanto, conhecida como Gestuno, que é usada em convenções e competições internacionais.
Não se sabe quando as línguas de sinais se iniciaram, mas sua origem remonta possivelmente à mesma época ou a épocas anteriores àquelas em que foram sendo desenvolvidas as línguas orais. Uma pista interessante para esta possibilidade das línguas de sinais terem se desenvolvido primeiro que as línguas orais é o fato que o bebê humano desenvolve a coordenação motora dos membros antes de se tornar capaz de coordenar o aparelho fonoarticulatório. As línguas de sinais são criações espontâneas do ser humano e se aprimoram exatamente da mesma forma que as línguas orais. Nenhuma língua é superior ou inferior a outra, cada língua se desenvolve e expande na medida da necessidade de seus usuários.
Também é comum aos ouvintes pressupor que as línguas de sinais sejam versões sinalizadas das línguas orais; por exemplo, muitos acreditam que a LIBRAS é a versão sinalizada do português; que a Língua Americana de Sinaisé a versão sinalizada do inglês; que a Língua Japonesa de Sinais é a versão sinalizada do japonês; e assim por diante. No entanto, embora haja semelhanças ou aspectos comum entre as línguas de sinais, devido a um certo contágio linguístico, as línguas de sinais são autónomas, não derivando das orais e possuindo peculiaridades que as distinguem umas das outras e das línguas orais.
A língua de sinais é tão natural e tão complexa quanto as línguas orais, dispondo de recursos expressivos suficientes para permitir aos seus usuários expressar-se sobre qualquer assunto, em qualquer situação, domínio do conhecimento e esfera de atividade. Mais importante, ainda: é uma língua adaptada à capacidade de expressão dos surdos.

Alfabeto dactilológico[editar | editar código-fonte]


a

b

c

d
A difusão do alfabeto dactilológico de uma só mão entre os ouvintes gerou a pressuposição de que esse alfabeto é a própria língua de sinais, que há uma única língua de sinais e que essa língua é universal. No entanto, o alfabeto dactilológico é apenas um suplemento das línguas de sinais, cuja função é a soletração de palavras das línguas orais, tais como, nomes próprios, siglas, empréstimos, etc.
De acordo om o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), o alfabeto dactilológico usado atualmente no Brasil é um conjunto de 27 formatos, ou configurações diferentes de uma das mãos, cada configuração correspondendo a uma letra do alfabeto do português escrito, incluindo o “Ç”.
É muito aconselhável soletrar devagar, formando as palavras com nitidez. Entre as palavras soletradas, é melhor fazer uma pausa curta ou mover a mão direita para o lado esquerdo, como se estivesse empurrando a palavra já soletrada para o lado. Normalmente o alfabeto manual é utilizado para soletrar os nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, etc., e para os vocábulos não existentes na língua de sinais.
Os sinais de pontuação, tais como, vírgulasponto final e de interrogação, às vezes, são desenhados no ar. Preposições e outras classes de palavras de que a língua não dispõe são inseridas na sinalização por meio da dactilologia, ou do alfabeto manual.

Línguas de sinais e línguas orais[editar | editar código-fonte]

Ao falarmos em língua de sinais estamos a referir-nos a língua materna/natural de uma comunidade de surdos, isto é, uma língua de produção manuo-motora e de recepção visual, com vocabulário e gramática próprios, não dependente da língua oral, usada pela comunidade surda e alguns ouvintes, tais como parentes de surdos, intérpretes, professores e outros.

Aspectos comuns[editar | editar código-fonte]

  • Arbitrariedade: As línguas orais são maioritariamente arbitrárias, não se depreende a palavra simplesmente pelo sua representatividade, mas é necessário conhecer o seu significado. A iconicidade encontra-se presente nas línguas de sinais, mais do que nas orais, mas a sua arbitrariedade continua a ser dominante. Embora, nas línguas de sinais, alguns gestos sejam totalmente icónicos, é impossível, como nas línguas orais, depreender o significado da grande maioria dos sinais, apenas pela sua representação.
  • Comunidade: As línguas orais têm uma comunidade que as adquirem, como língua materna, cujo desenvolvimento se faz através de uma comunidade de origem, passando pela família, a escola e as associações. Todas as línguas orais têm variações linguísticas. Todas as línguas gestuais possuem estas mesmas características.
  • Sistema linguístico: As línguas orais são sistemas regidos por regras. O mesmo acontece com as línguas de sinais, conforme referenciado por Stokoe (1960).
  • Produtividade: As línguas orais possuem a características da produtividade e da recursividade, sendo possível aos seus falantes nativos produzirem e compreenderem um número infinito de enunciados, mesmo que estes nunca tenham sido produzidos antes. Acontece o mesmo com as línguas de sinais, sendo encontradas a criatividade e produtividade nas produções, por exemplo, da LGP, pelos seus gestuantes nativos, parecendo não haver limite criativo.
  • Aspectos contrastivos: As línguas orais possuem aspectos contrastivos, isto é, as unidades fonológicas do sistema de determinada língua estabelecem-se por oposições contrastivas, ou seja, em pares de palavras, em que a substituição de uma unidade fonológica (um fonema) por outra altera o significado da palavra (por exemplo: parra e barra). Acontece o mesmo nas línguas de sinais, sendo que em vez de unidade fonológica, muda um pequeno aspecto do gesto (por exemplo, na LGP: método e liberdade).
  • Evolução e renovação: As línguas orais modificam-se, como no caso das palavras que caem em desuso, outras que são adquiridas, a fim de aumentar o vocabulário e ainda no caso da mudança de significado das palavras. O mesmo acontece nas línguas de sinais, a fim de responder às necessidades que a evolução socio-cultural impõe (por exemplo, na LGP, os seis gestos de "comboio", ou os gestos de "filme").
  • Aquisição:A aquisição de qualquer língua oral é natural, desde que haja um ambiente propício desde nascença. Na língua gestual acontece de igual forma, não tendo o indivíduo surdo que exercer esforço para aprender uma língua de sinais, ou necessidade de qualquer preparação especial.
  • Funções da linguagem: As línguas orais podem ser analisadas de acordo com as suas funções. O mesmo acontece com as línguas de sinais. As funções são: a função referencial,a emotiva, a conotativa, a fática, a metalinguística, e a poética.
  • Processamento: Embora usando modalidades de produção e percepção, as línguas orais e de sinais são processadas na mesma área cerebral.

Características próprias das línguas de sinais[editar | editar código-fonte]

Kyle e Woll apontam algumas propriedades exclusivas das línguas de sinais, tais como o uso de gestos simultâneos, o uso do espaço e a organização e ordem que daí resultam. Assim, as línguas de sinais possuem uma modalidade de produção motora (mãos, face e corpo) e uma modalidade de percepção visual.
Embora existam aspectos universais, pelos quais se regem todas as línguas de sinais, a comunicação gestual dos Surdos não é universal. As línguas de sinais, assim como as orais, pertencem às comunidades onde são usadas, tendo apresentando diferenças consideráveis entre as determinadas línguas.
As línguas de sinais não seguem a ordem e estrutura frásicas das línguas orais, assim o importante não é colocar um sinal atrás do outro, como se faz nas línguas orais (uma palavra após a outra). O importante em sinais é representar a informação, reconstruir o conteúdo visual da informação, pois os surdos lidam com memória visual. As línguas de sinais possuem sua gramática própria, assim como as línguas orais possuem as suas, sendo elas totalmente independentes.

Referências

  1. Ir para cima Para uma Gramática de Língua Gestual Portuguesa, pág. 54.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]